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O que as grisalhas estão cansadas de ouvir

O que as grisalhas estão cansadas de ouvir - Viver a Vida
O que as grisalhas estão cansadas de ouvir? Graças à pandemia, mulheres de todo o Brasil tiveram que lidar com as restrições das idas aos salões de beleza. Aquelas que não tinham ou não desenvolveram a habilidade de retocar a raiz em casa, pela primeira vez se depararam com o crescimento dos fios grisalhos sem poder contorná-lo. Para muitas, como a cantora Preta Gil e a produtora de conteúdo Suzana Alves, o período serviu como um incentivo para deixar que os fios brancos cresçam livremente. Mas há quem já estivesse neste processo de autodescoberta antes mesmo que a realidade se transformasse.

É o caso de Kika Ribeiro, Ana Fonte e Patricia Reis: além de passarem pelo que chamam de “libertação da tinta”, as três usam suas contas no Instagram para compartilhar com outras mulheres suas experiências e inspirá-las na aceitação da própria imagem, colocando em cheque o que as grisalhas estão cansadas de ouvir. Questionadas sobre quais os principais desafios em permitir que os fios se tornem grisalhos, além de falarem sobre a redescoberta de si mesmas, elas são unânimes: lidar, constantemente, com a opinião não solicitada de terceiros.

“Tenho cabelo branco desde nova. Aos 18 anos começaram a aparecer os primeiros fios. Nesta época eu coloria, mas pela vontade de variar e não porque me sentia incomodada. Já fui loira, usei tons puxados para o vermelho, o preto e o castanho… Porém, com o passar dos anos, a necessidade de esconder os grisalhos se intensificou. E comecei a ficar cansada disso.

Até pensei em parar, mas já tinha escutado, ao longo da vida, tantos comentários negativos e preconceituosos, que eles estavam internalizados em mim. Pensava que poderia transmitir uma imagem de desleixo, por isso ficava insegura. Até que em 2016 tomei coragem para me livrar da obrigação e parar de tingir. Foi uma das melhores decisões que já tomei e não me arrependo dela. Estou feliz e satisfeita.

Sem dúvida, a frase que mais me irrita com relação aos fios, da qual eu discordo profundamente e que me deixa indignada é: ‘Cabelo branco só fica bom se o corte for curto’. Criaram esse padrão e as pessoas reproduzem sem nem procurar ver como são as mulheres que estão fora dele. Adoro meus fios quando estão compridos”. Kika Ribeiro (@paginadakika), 50 anos, produtora de conteúdo no canal Página da Kika.

“Estou com 35 anos. Quando meus fios brancos começaram a surgir, automaticamente passei a tingi-los. Como a frequência do retoque me incomodava, tentei ficar loira, mas sentia que aquele visual não era para mim, por isso logo dava um jeito de voltar a ter o cabelo escuro. Há seis meses, no entanto, decidi que, se homens grisalhos são charmosos, eu poderia ser uma mulher de cabelos brancos e me considerar charmosa também.

Passei a procurar referências na internet e me deparei com mulheres grisalhas incríveis falando também sobre o que as grisalhas estão cansadas de ouvir. Não acho que a obrigação da tintura seja um peso necessário, que precisamos carregar. Então aproveitei que estava passando por um período de intensas transformações e que tinha parado de fumar depois de anos como dependente, e usei esse sentimento de revolução para deixá-los crescer.

‘Você é nova e vai ficar com cara de velha’ foi uma das frases que escutei nesse período. Mas estava decidida a fazer a mudança e usei minhas redes sociais para falar sobre o assunto. Vi o número de seguidores aumentar muito rápido. Sinto que as pessoas estão carentes deste tipo de conteúdo”. Ana Fonte (@grisalhando), 35 anos, atriz.

“Quando uma mulher decide assumir os cabelos brancos, começam os ‘você tem que’. Usar batom, para não ficar muito apagada. Bijuterias, para não transmitir um ar desleixado. O corte precisa ser moderno, para não ficar com cara de vovó. Alguns perguntam também o que meu marido acha da ideia. O cabelo vira público, todo mundo se acha no direito de dar algum pitaco.

Tenho uma genética forte, então desde os 24 anos já via a necessidade de tingi-lo. Na época, havia acabado de me tornar mãe e a preocupação que vem junto de um bebê intensificou o processo. Passei a pintar sem nem questionar. Quando cheguei aos 45 anos, cheguei ao ponto de pintar toda semana. Quem me ajudava com isso era meu marido. Um dia, quando ele estava passando o creme na raiz, perguntou se eu não tinha feito aquilo quatro dias atrás. Eu tinha. Naquele momento, tive um estalo e anunciei que nunca mais iria fazer aquilo. Não queria ser uma escrava.

Tive momentos de vulnerabilidade, de achar que não estava bonita. Mas a vontade de seguir era maior do que a de voltar atrás. Os primeiros seis meses foram os piores, porque as texturas eram muito diferentes: enquanto uma parte do cabelo havia recebido tinta a vida toda e estava plástica e fragilizada, a outra era volumosa e grossa. Então, assim que pude, cortei na altura do queixo.

Foi um processo de desconstrução, de conexão comigo, de retomada da minha força interna, dos meus valores e saberes adormecidos. Uma coisa gigante. Foi como entrar na caverna e me reconhecer, me buscar por dentro. Hoje sinto que meu cabelo fala por mim. E a palavra para descrever minha relação com ele é liberdade. Sinto que me permito, me valido”. Patricia Reis (@movimentogrisalha), 48 anos, empresária.

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